Segunda carta

Abaixo você encontra a segunda carta da campanha fora genocida – enviada aos WhatsApps aos deputados. A carta faz parte da campanha pelo Impeachment do canal Todos pela Saúde e canal do Filósofo:

Vivemos um erro crasso: o de acreditar que estamos combatendo uma doença natural, e que, portanto, cabe a médicos e hospitais resolverem o problema. Não! A covid é um produto político ou, melhor dizendo, biopolítico. Ela nasceu da polis, isto é, da cidade, do modo como organizamos a vida arquitetônica e cultural. Nossa ação ecológica falhou. A covid se espalhou pelos mesmos motivos pelos quais surgiu.

Os filósofos podem dizer que se trata de um fenômeno de biopolítica. A política que atinge a vida. Os cientistas criaram o termo sindemia para substituir o termo pandemia. Um conjunto de vetores de ordens distintas, mas atuando articuladamente sobre a vida humana de modo a colocá-la em risco é uma sindemia. Médicos mais atualizados já estão utilizando esse termo.

Assim, se a covid é da ordem da biopolítica, só medidas biopolíticas poderiam combatê-la. O lockdown rápido, radical e total associado a uma reforma de abertura dos bairros pobres e favelas, junto com um tipo de auxílio emergencial não burocratizado (800 reais seria pouco!) seria o primeiro passo. O segundo passo seria a campanha de explicação sobre a higiene diante da doença e a mutabilidade do vírus.

Todavia, como o conceito usado foi o de doença natural, e para a qual não se teria vacina, então tudo foi deixado pela conta da sorte, da natureza. Se alguém pega a doença, que se vire. Não se tem muito o que fazer diante de infortúnios da natureza. No máximo, pode-se diminuir a dor de alguém, e então tudo vira um problema de médicos e hospitais. Ou então da mística: cloroquina e benzimentos. A esquerda e optou pelos médicos e hospitais, a direita pela mística. O conceito errado levou às ações erradas.

Mesmo agora, tendo a vacina, a ideia de doença natural ainda é prejudicial. Pois vacina não é algo que se aplica e, então, resolve o problema. Vacina é algo da biopolítica, e isso em dois sentidos: é necessário que as patentes sejam quebradas e o mundo todo tenha igual acesso; vacina é algo que depende de uma política de ação rápida, caso contrário a mutabilidade do vírus reverte o processo todo.

Todas as medidas para resolver o problema são, portanto, políticas ou biopolíticas. Se não tomadas, vamos viver o que vivemos com a meningite, um problema que, nos anos setenta, ceifou vidas exageradamente e que durou cinco anos! Podemos passar cinco ou mais anos no quadro dessa sindemia. E isso pode ser agravado assustadoramente se outras sindemias aparecerem. A única ação real que resolve o problema é tirar o maior entrave político que temos, e que fez com que tudo ocorresse do modo errado que ocorreu.

Temos de realizar o Impeachment de Bolsonaro. Com ele no governo, nenhuma atitude racional será tomada. Todos sabemos disso! Esperar a via eleitoral para parar as mortes é colaborar com o genocídio que ele promove. É um crime igual ao dele, talvez pior!

Uma classe política que fez Impeachment por conta de Fiat e de pedalada fiscal poderia começar a pensar em fazer algo por conta de mais de 300 mil mortos.

 

No dia 04 de abril de 2021

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